Que não! Que não somos nós…

De sabido é que as pobres somos as terroristas, as malvadas. Que a nossa é a verdadeira violência. De sabido é que os estados som os bons, os que velam pelo nosso bem-estar, os que falam a verdade. De sabido é que nós somos as malas com caras de monstras e eles os bonzinhos com cara de menino indefenso.

Ter ideais próprias, pensar leva-nos a defender o direito à nossa terra, a viver nela. A falar que terrorismo é a violência machista. Que terrorismo é não poder exercer o direito à permanência e ver-se obrigadas a migrar. Terrorismo som os despidos massivos gratuitos, a heterossexualidade obrigatória, o espólio dos recursos naturais, trabalhar e não chegar a fim de mês, a violência policial em redadas racistas, a erradicação da liberdade de expressão… Terrorismo é ter que pagar por uma vivenda digna havendo milheiros de casas vazias.

Agora, andamos a perder o medo e saímos a denuncia-lo. E acabam chamando-nos terroristas, vandalxs, violentxs, porque desde há tempo tudo o que seja política de rua e política não partidista é terrorismo. Somos radicais porque queremos uma transformação verdadeira, de raíz.

Somos nós as que resistimos, as que fazemos arte com a raiva. Somos as que nos negamos a ser sumisas, as que construímos, as que saímos à rua para lutar contra a precariedade.
Que não! Que que não somos nós as que matamos pessoas nas fronteiras, as que desafiuzamos, as que roubamos. Não somos nós as que torturamos, as que mentimos, as que utilizamos os médios de comunicação como forma de desinformação. Não somos nós as que escravizamos em pleno século XXI, as que exprimimos a vida das companheiras, as que violamos. Não somos nós as que encerramos a outras em prisões porque nos convém ou porque assim o desejamos.

As cadeias, esses espaços completamente ailhados das áreas “civilizadas”. Situasse em lugares invisíveis, alongadas da vida cotia para fazer-nos esquecer o que acontece lá dentro, para não ver diariamente a miséria dos estados que encarcelam pessoas molestas. As que a eles lhes molestam. As vezes chamam-lhe ladrões, drogadictxs ou prostitutas e outras chamam-lhe terroristas.

Em varias ocações visitamos duas das cadeias pelas que passou Maria Osório, uma das 7 presxs políticxs galegxs. Já estivo em Brieva, Asturias, em Soto del Real, Madrid e agora em Mansilla de las Mulas, León. Longas viagens produto da dispersão, pura repressão. A manipulação da policia e da Audiência Nazional mantenham a María e às outras 7 presxs encarceladxs com sentencias que superam os 6 anos de condena e podem chegar a 14.
No passado dia 30 de outubro de 2015, a Audiência Nazional mandou prender mais 9 pessoas por “enalcemento do terrorismo”. QUE NÃO! QUE NÃO SOMOS NÓS AS QUE MATAMOS PESSOAS!
Por sorte, desta volta, hoje, dia 2 de novembro sairom livres depois de declarar ante o juzgado nazional que não atopou provas pra mante-lxs na cadeia.

Nas nossas viagens até essos centros penitenciarios não pudemos deixar de fotografar o espazo que os rodea para denunciar a dispersão, a invisibilização dos centros, a repressão.

Porque somos nós as que construimos, como diz a canção*: Somos sonhadoras com voz em alto. Somos creadoras com esperanza, com a justicia e a força do coração, sem malicia. Ainda que destruan, nós construímos. Coa sabiduria da nossa fortaleza, coa ilução dum mundo melhor. Polas que partiram. Pelas que viram. Com amor, igualdad, justiza.

[* For Thosse (#Ayotzinapa) de Lengualerta com Wally Warning & Ana Sol.]

CENTRO PENITENCIARIO DE SOTO DEL REAL. MADRID.
Soto del Real 01

Soto del Real 02

Soto del Real 03

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Soto del Real 06

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Soto del Real 09

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Soto del Real 11

CENTRO PENITENCIARIO DE MANSILLA DE LAS MULAS. LEÓN.

Mansilha de las Mulas 01

Mansilha de las Mulas 02

Mansilha de las Mulas 03

Mansilha de las Mulas 04

Mansilha de las Mulas 06

Mansilha de las Mulas 07

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