A lavagem da escaderia. Ilú Obá de Min

A LAVAGEM DA ESCADERIA. ILÚ OBÁ DE MIN.

Forçadas, roubadas da sua própria terra, chegaram as escravas e escravos desde a África até o Brasil e resto de países da Latinoamérica. E com elas, também os seus orixás. Resistindo durante séculos, a povoação escrava manteve vivos muitos aspectos das suas culturas, religiões e idiomas. No Brasil, as negras e negros escravos aglutinados nas “senzalas” mantiveram o candomblé como religião e forma de vida proibidas pelos conquistadores europeus e católicos.

Nas manifestações sagradas do candomblé – as que se celebram nos terreiros – as mulheres não têm espaço pra poder tocar os tambores. É proibido pra elas, mas querendo tocar o Ilú (tambor grande) as mulheres recuperaram o seu espaço a través dos Afoxés – manifestações profanas ou candomblé de rua.

O coletivo Ilú Obá de Min junta toda a energia dos tambores com a energia das mulheres. Nasce como uma provocação unindo três elementos proibidos: mulheres, tambores e orixás. Som “as mãos femininas que tocam o tambor para o rei Xangô”.

Cada 13 de maio, dia da abolição da escravidão no Brasil, o Ilú ocupa a rua 13 de maio no bairro do Bixiga, São Paulo, pra fazer o ritual da “Lavagem da escadaria” que tem significado de purificação do espaço.

Este é um vídeo resumo da atuação que o Ilú Obá de Min realizou o passado 13 de maio de 2014. Vídeo direto, cheio de empoderamento feminino e feminista. A música que tocam neste vídeo é a dedicada à orixá Iansã, deusa guerreira representada com uma espada e um raio. Ela é a rainha dos raios, das ventanias, do tempo que se fecha sem chover. A tempestade é o poder manifesto de Iansã, guerreira por vocação, lutadora que batalha no dia-a-dia a sua felicidade.

· No seguinte enlace podem ver a actuação completa da Lavagem da Escadaria: vimeo.com/110345617

· Ilú Obá de Min nasceu no 2004 com o objetivo de desenvolver atividades de empoderamento da mulher a través da arte e de enfrentamento do racismo, sexismo, discriminação, preconceito e homofobia, além de preservar e divulgar a cultura negra no Brasil, mantendo diálogo cultural constante com o continente africano através dos instrumentos, dos cânticos, dos toques e da corporeidade.

· O significado de Ilú Obá de Min provem de “Ilú” que é um tambor grande. De procedencia africana é tocado por três mulheres (nalguns países da África é permitido que as mulheres toquem os tambores). “Obá” designa ao rei. Também designa à orixá Obá que foi mulher do rei Xangô. E “Min” que significa mãos. “As mãos femininas que tocam o tambor para o rei Xangô”.

· Pra conhecer mais sobre o Ilú Obá de Min: youtube.com/watch?v=yquV7stnRvI e
facebook.com/pages/Il%C3%BA-Ob%C3%A1-De-Min/125403590866610?fref=ts

· “Senzalas” casas onde moravam aglutinadas as escravas e escravos.

· Os orixás são deuses africanos da Natureza divididos em quatro elementos: água, terra, fogo e ar. Xangô é o rei principal mas existem outras deidades como Iansã, Ogun, Oxossi, Oxalá, Exú, Ossain, Oxun… Todos eles/elas têm arquétipos humanos que manifestam emoções e têm relacionados um sistema simbólico particular para cada um composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, espaços físico e até horários.
Os orixás têm as suas filhas e filhos que são as pessoas que têm características relacionadas com a sua personalidade. Também têm as suas própias canções e saudação.

· A palavra Candomblé significa “Casa da dança com atabaques”. Provem da conjunção do termo quimbundo “candombe” – dança com atabaques (instrumento de percussão) com o termo iorubá “ilé” ou “ilê” – casa.

· O Candomblé junto com o Umbanda e o Quimbanda som as principais religiões afro-brasileiras praticadas em todos os estados do Brasil. Originarias da África, hoje em dia mantenhem uma especial importancia e influência na cultura brasileira. Como são religiões principalmente practicadas por negras e negros, estám associadas a umas costumes e cultura relacionada com a povoação negra e pobre. Assim, não sempre são bem vistas por parte dos colectivos de poder sofrendo também descriminação por racismo e classimo.

E aquí o vídeo da atuação completa.

Ilú Obá de Min.
A lavagem da escaderia.
O Bixiga, São Paulo.
13 de maio de 2014.
Duração: 3’52”
As Candongas do Quirombo.

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